Becomposto

De Mercado Sul
Ir para: navegação, pesquisa
Becomposto.jpg
Projeto becomposto.jpg

Notícias

Acesse o nosso blog no Movim

Fotos

Acesse as fotos do Becomposto no Baobáxia

Apresentação

O Becomposto é uma prática comunitária voltada para o desafio de construir relações prósperas entre seres humanos, animais e plantas no meio da cidade. Tal prática se insere no universo da permacultura urbana na busca de que o cinza que impera no urbano possa ser colorido pelos verdes do cerrado. No mundo do concreto, nós, seres humanos, precisamos encontrar formas de restabelecer nossa harmonia com os demais elementos da Natureza. No mundo todo, milhões de pessoas vêm experimentando novas alternativas nesse sentido, como bioconstrução, agricultura urbana, energias renováveis….

O projeto Becomposto foca em tecnologias e diálogos que permitam construir essas relações de harmonia no contexto da comunidade do Mercado Sul, também conhecida como o “Beco da Cultura”, em Taguatinga/DF. A proposta, que começou a ser colocada em prática a partir do início de 2016, se soma a diferentes iniciativas pré-existentes de moradores que cultivam plantas (comestíveis, medicinais e/ou ornamentais) e realizam algum tipo de aproveitamento de resíduos urbanos.

Justificativa

A Sustentabilidade já é uma palavra-chave de nosso tempo. A responsabilidade ambiental, o “ecologicamente correto”, o discurso verde… já perpassam desde as conversas de esquina até as agendas nacionais e internacionais dos governos. As pessoas lamentam o “desastre de Mariana”, a montadora lança um carro híbrido, a Coca-Cola faz propaganda abordando a reciclagem de suas latinhas, a ONU realiza a Rio+20… e por aí segue toda uma narrativa contemporânea que contraditoriamente consiste em salvarmos o planeta de nós mesmos.

Mas o que há de efetivo nesses discursos e ações em prol do meio ambiente? Como podemos ser a geração que mais polui e a que mais fala em preservação ambiental ao mesmo tempo? O problema atingiu um grau tamanho que efetivamente exige o engajamento de todos. Há sim um conjunto animador de soluções efetivas brotando mundo afora, mas há também muitas armadilhas promovendo um consumismo verde. Soluções ambientais efetivas precisam estar associadas a um olhar sobre as estruturas de produção, os padrões de consumo e os conceitos de bem-estar que norteiam nossas sociedades atualmente.

O planeta Terra demanda drásticas e urgentes mudanças de postura dos seres humanos. O aquecimento global já tem projetado seus efeitos sobre todos os biomas e seres vivos. As autoridades climáticas discutem em Paris medidas urgentes para conter a subida do termômetro. Em paralelo a esse fenômeno, avizinha-se uma crise energética, que será imposta pela redução das reservas mundiais de petróleo e que demandará uma substituição de nossa matriz energética. (Hopkins, Rob. Manual Cidades em Transição)

A comunidade do Mercado Sul, localizada em Taguatinga Sul/DF, existe desde 1964, com a fundação de uma área de mercado na quadra QSB 12/13, próxima à avenida SAMDU. A partir dos anos 80, o movimento cultural de Taguatinga começou a frequentar a dar mais vida ao espaço, com a abertura da Adén Violões (luthieria), do mestre Dico. No ano 2004, o coletivo Invenção Brasileira fixou residência próximo ao violões e violas do luthier. Também instalou-se na mesma rua o mestre Virgílio, hábil artesão que, com papelões e sacos de cimento, constrói mobílias, cenários e tudo mais o que a imaginação permitir.

Na última década vem ocorrendo uma paulatina ampliação de iniciativas artístico-culturais e de outras ordens também no Beco. Grupo de capoeira angola, oficina de costura, mamulengos, profissionais do áudio-visual, núcleo de pesquisa em tecnologia, oficina de fabricação de instrumentos musicais, cantoras, mímicos....e por aí segue a consolidação de uma teia criativa que associa práticas artísticas a questões sociais, raciais, de gênero, econômicas e ambientais.

Nesse sentido, a comunidade do Mercado Sul reúne condições interessantes para ocupar uma posição de vanguarda no desenvolvimento de soluções tecnológicas e arranjos comunitários que promovam uma nova ecologia urbana. Entre vielas e lojas, começa a crescer um processo concomitante de revitalização do espaço urbano e de questionamento do modelo de cidade que temos. Sua característica de minibairro (aproximadamente 50 imóveis), permite rápida circulação de ideias; suas edificações antigas compõem um cenário ideal para experimentações de sustentabilidade na modo de viver urbano.

Em termos concretos, as ações compreendidas no projeto Becomposto envolvem, por exemplo, compostagem de resíduos orgânicos para fabricação de húmus, triagem e reciclagem de resíduos sólidos, ampliação das áreas plantadas com oferta de espécies comestíveis e medicinais, soluções hidráulicas para economia ou reaproveitamento de água, geração elétrica com base em energias renováveis, bioconstruções, biorreformas...

Em suma, o projeto do Becomposto se justifica na condição de um esforço voltado a reinventar nossas práticas urbanas sob uma perspectiva de sustentabilidade num momento em que as grandes e urgentes transformações globais dependerão de novas práticas locais, desenvolvidas em espaços de crítica criativa como a comunidade do Mercado Sul.

Projeto becomposto objetivos.jpg

Objetivo Geral

  • Desenvolver tecnologias e fomentar diálogos na busca do “bem viver urbano”1, resgantando saberes ancestrais e disseminando novas práticas de harmonia entre seres humanos, animais e plantas no meio da cidade.

Objetivos Específicos

  • Transformar o Mercado Sul em uma “ilha-verde” em plena Taguatinga, permitindo que seus moradores e frequentadores tenham acesso a uma prática comunitária baseada na preservação dos recursos do planeta e na valorização de todas as formas de vida;
  • Melhorar as condições ambientais e de saneamento do Mercado Sul por meio da implantação de melhorias sustentáveis nas lojas, moradias e entorno;
  • Fortalecer as relações de confiança entre os membros da comunidade do Beco, fomentando parcerias e mutirões como estratégia de revitalização do espaço urbano;
  • Promover a autogestão de resíduos sólidos produzidos pela comunidade fortalecendo a redução de desperdício, o reaproveitamento, a reciclagem e a compostagem;
  • Realizar ações de aperfeiçoamento das edificações e das calçadas por meio de técnicas de biorreforma que permitam um uso mais harmônico dos recursos naturais;
  • Desenvolver soluções comunitárias e populares relacionadas ao ciclo da água e às energias renováveis;
  • Contribuir para o bem viver num contexto urbano, facilitando o acesso e promovendo saberes sobre alimentos orgânicas e medicinas naturais;
  • Oferecer oportunidades de engajamento social e geração de renda a seus moradores e à vizinhança adjacente por meio de atividades relacionadas à sustentabilidade no meio urbano;
  • Oferecer exemplos e disseminar ideias de transformações ousadas e viáveis para outras comunidades urbanas.

Princípios e Metodologias

A atuação do Becomposto envolve princípios, metodologias e técnicas em variadas áreas de conhecimento, reunidas numa atuação comunitária. Desde entender os processos químicos envolvidos no processo de compostagem, a (re)desenhar espaços sustentáveis, ou mesmo, simplesmente conversar e saber ouvir um tiozinho da esquina….saberes populares, científicos e místicos participam do processo de (re)criação do espaço urbano promovido pelo projeto.

Educação livre

O conhecimento está em toda parte. Os saberes nascem e se propagam nas trocas de idéia, em contextos diversos. O mundo é uma “multiversidade” repleto de pequenas oportunidades diárias de ensino e pesquisa. Todo mundo tem o que ensinar e todo mundo tem o que aprender. Espaços como escolas e universidades são importantes, mas os saberes do mundo estão muito para além das carteiras escolares e cátedras acadêmicas. O Becomposto atua de modo bem empírico....observando, trocando idéia, planejando, fazendo e vendo como ficou para melhorar. A fonte primeira de conhecimento é a própria comunidade….sempre tem alguém que já saca do que se busca, alguém que pode dar uma idéia nova, que conhece alguém que pode somar no rolê….

Comunicação comunitária

Uma educação livre requer uma comunicação livre. Para que os saberes possam ser difundidos, é fundamental uma esfera livre e horizontal de comunicação. Uma espécie de uma esfera pública de comunicação, sem monopólios e cartéis, sem censuras... Usando as tecnologias de informação e comunicação a partir de uma filosofia de liberdade, são experimentados diferentes canais de comunicação: sites, blogs, rádios livres. O projeto Baobáxia é um dos exemplos dessas ferramentas www.baobaxia.mocambos.net.

Nós por nós

O fundamental são as pessoas. O rolê do Becomposto fortalece as pessoas da comunidade, pois são elas que estão fortalecendo nosso dia-a-dia. Muitas soluções para melhorar as condições do Mercado Sul podem surgir da uso de habilidades que a própria comunidade tem. Não se está tirando a responsabilidade do Governo em relação ao seu papel para o bem estar da população, mas se está ao mesmo tempo reivindicando inversões nas prioridades das políticas públicas e mostrando as soluções possíveis para novas questões públicas. É a comunidade, junta e misturada, promovendo mutirões, gerando renda, fortalecendo uns aos outros...

De igual para igual

Aqui, todos mandam e ninguém obedece e todos obedecem e ninguém manda ! O desafio é fazer as pessoas se organizarem de forma dinâmica e flexível. Fugir de caminhos cheios de burocracias, estruturas de comando, regras e papelórios desnecessários. A técnica aqui é a do quanto mais simples e flexível melhor. Para isso funcionar, é necessaŕio ter relações de confiança bem estabelecidas e compromisso com o trampo e sempre jogar o papo reto. Tod@s falam de igual para igual entre si, tod@s têm algo a contribuir. Quem sabe falar bem, tem que saber ouvir bem também. Quem sabe muito, tem que saber aprender ainda mais.

O caminho se constrói ao caminhar

Planejar é importante, mas é sempre uma ferramenta para organizar nossa prática no espaço e no tempo. Se ao longo do caminho, alguém aponta um outro caminho legal, surgem outras soluções, aparecem novos obstáculos….sem crise. Muitas vezes também é necessaŕio esperar que a própria comunidade aponte os rumos a serem tomados. O processo é lento, mas é implacável. O fundamental é não perder o ritmo dos trampos e nunca deixar de refletir junto com outras pessoas sobre os melhores caminhos, avaliar as ações que foram feitas e bolar os cenários do que fazer mais pra frente.

Tecnologias e Saberes práticos

Compostagem

A aplicação de técnicas de compostagem possibilita a transformação de restos e resíduos orgânicos em compostos que fortalecem os canteiros e hortas. Diferentes métodos e estruturas de compostagem podem ser mobilizados de acordo com o perfil do lixo, com o espaço disponível e com os objetivos pretendidos. As minhocasas são boas soluções para espaços domésticos e produzem o húmus, que é um ótimo insumo para a terra. O uso de minhocas também acelera uma série de processos na compostagem. Leiras e covas são boas opções para espaços abertos e maiores. Outra técnica é o uso de biodigestores, que transformam a matéria orgânica em ótimo biofertilizante para as plantas. Em cada uma das soluções é importante saber escolher um local adequado e o armazenamento certo, para sinalizar adequadamente para a Natureza quais elementos e seres vivos são desejados para a sucesso do processo de compostagem.

Plantio e canteiros comunitários

Vai florir...cada grande cidade o mato vai cobrir….

A construção de canteiros de plantas vai redesenhando o espaço da cidade. No território das calçadas e do asfalto, os projetos de plantio precisam saber fazer uso intensivo do pouco espaço que se tem. Cada metro quadrado é bastante disputado. Técnicas de plantio em pequenos espaços, como os jardins verticais, e a reutilização de resíduos sólidos, para fazer vasos, são exemplos dos desafios do manejo de plantas na cidade. Neste contexto, as plantas podem contribuir nas tarefas de redução das poluições visual e sonora, e purificação do ar e do solo, além das funções comuns como alimento e de uso para a saúde do corpo e do espírito. A falta de espaço também sugere a necessidade de buscar formas de beneficiar o que foi produzido de modo a agregar valor nessa produção.

O trabalho de plantio e manejo se estende para trabalhos em um outro local. No Sítio Estelina, localizado na Ponte Alta (núcleo rural do Gama), se desenvolve um trabalho de plantio de agrofloresta. O Sítio produz hortaliças, frutas, raízes, ervas medicinais, entre outras variedades. O Becomposto atua em parceria com o Sítio trocando trabalho por alimentos orgânicos que reforçam as mesas da comunidade do Mercado Sul.

Criação de ciclo sustentável da água: consumo consciente, reuso e captação

Apesar do planeta Terra ser altamente rico em água, apenas cerca de 2% dessa água é potável. Muitas grandes cidades estão passando hoje por crises hídricas. A aposta em sistemas hídricos altamente centralizados tem alcançado seus limites. Muitos grandes reservatórios estão secando e aumentam as oportunidades de experimentarmos novas tecnologias. Se cada casa e cada comunidade conseguir criar suas próprias soluções de gestão da água, todos e todas poderemos ter acesso adequado à água de boa qualidade e ainda contribuir para a recuperação das reservas de água de nosso planeta.

Uma frente importante de atuação é a reutilização de água. Há muito desperdício no uso doméstico de água. As águas do banho, da máquina de lavar e da pia a cozinha, por exemplo, podem ter diferentes tipos de aproveitamento. Há inúmeras formas interessantes de captar e armazenar as águas da chuva e aproveitá-las para beber, para regar as plantas e para limpeza. É possível desenvolver várias tecnologias de baixo custo para melhorar a relação com nossas águas.

Economia elétrica e Energias renováveis

As energias renováveis permitem a geração de energia elétrica de forma descentralizada e com menor impacto para o planeta. Os painéis solares funcionam bem no contexto do nosso cerrado. Com o solzão “pocando na kbça” do cidadão no asfalto de Taguatinga. Na estação da seca, quando as nuvens são ralinhas, a energia solar é uma ótima solução.

O consumo consciente de energia elétrica no bairro pode ser ensinado a todas e todos. A comunidade pode conversar sobre a melhor forma de se usar a energia. Até a autonomia energética da quebrada !

Melhoria da “infra” da quebrada

A infraestrutura das casas e das áreas externas constituem também um “front” importante do trampo do Becomposto. Colocar em práticas novas soluções de reformas ecológicas nas velhas construções de alvenaria do Mercado Sul é um grande desafio. Melhorar a “infra” também envolve as condições do entorno das moradias. Reformar as calçadas e a ampliar a acessibilidade, melhorar a iluminação (solar e elétrica) das ruas, instalar bicicletários são exemplos de ações importantes para construir uma nova sociabilidade no espaço urbano.

Equipe

  • Juan
  • Artur Rasta
  • Artur Sinimbu
  • Julierme
  • Geral da comunidade


Funk do Becomposto

Vem que vem 
eh o becocomposto
pode chegar junto
que vai dar um gosto
na sua lingua-agem
vai ser bem legal
eh a compostagem
de residuo natural

E funciona assim
caminha pelo Beco
pega o residuo
faz a selecao
leva para a leira
com autogestao
evitando doencas
para a populacão

Na medida certa 
um residuo organico
com duas de palha
camada por camada 
aberta ou fechada
fazendo o manejo 
de tempo em tempo 
dando uma arejada

Mantendo o microclima
60° graus por dentro
Há Decomposição
e os microorganismos
Transformando o residuo
em adobo natural
sem odor nem moscas 
dentro do nosso quintal

Projetos Interessantes

DF

Fortaleza

Rio de Janeiro

São Paulo

Arquivo:ProjetoBecomposto - copia Wiki.odt